terça-feira, 15 de setembro de 2009

Carta de um policial a um bandido, por Wilson R Monteiro

Senhor Bandido,

Esse termo de senhor que estou usando é para evitar que macule sua imagem ao lhe chamar de bandido, marginal, delinquente ou outro atributo que possa ferir sua dignidade, conforme orientações de entidades de defesa dos Direitos Humanos.

Durante vinte e quatro anos anos de atividade policial, tenho acompanhado suas “conquistas” quanto a preservação de seus direitos, pois os cidadãos e especialmente nós policiais estamos atrelados às suas vitórias, ou seja, quanto mais direito você adquire, maior é nossa obrigação de lhe dar segurança e de lhe encaminhar para um julgamento justo, apesar de muitas vezes você não dar esse direito as suas vítimas. Todavia, não cabe a mim contrariar a lei, pois ensinaram-me que o Direito Penal é a ciência que protege o criminoso, assim como o Direito do Trabalho protege o trabalhador, e assim por diante.

Questiono que hoje em dia você tem mais atenção do que muitos cidadãos e policiais. Antigamente você se escondia quando avistava um carro da polícia; hoje, você atira, porque sabe que numa troca de tiros o policial sempre será irresponsável em revidar. Não existe bala perdida, pois a mesma sempre é encontrada na arma de um policial ou pelo menos sua arma é a primeira a ser suspeita.

Sei que você é um pobre coitado. Quando encarcerado, reclama que não possuímos dependência digna para você se ressocializar. Porém, quero que saiba que construímos mais penitenciárias do que escolas ou espaço social, ou seja, gastamos mais dinheiro para você voltar ao seio da sociedade de forma digna do que com a segurança pública para que a sociedade possa viver com dignidade.

Quando você mantém um refém, são tantas suas exigências que deixam qualquer grevista envergonhado. Presença de advogados, imprensa, colete à prova de balas, parentes, até juízes e promotores você consegue que saiam de seus gabinetes para protegê-los. Mas se isso é seu direito, vamos respeitá-lo.

Enfim, espero que seus direitos de marginal não se ampliem, pois nossa obrigação também aumentará. Precisamos nos proteger. Ter nossos direitos, não de lhe matar, mas sim de viver sem medo de ser um policial.

Dois colegas de vocês morreram, assim como dois de nossos policiais sucumbiram devido ao excesso de proteção aos seus direitos. Rogo para que o inquérito policial instaurado, o qual certamente será acompanhado por um membro do Ministério Público e outro da Ordem dos Advogados do Brasil, não seja encerrado com a conclusão de que houve execução, ou melhor, violação aos Direitos Humanos, afinal, vocês morreram em pleno exercício de seus direitos.

Autor: Wilson Ronaldo Monteiro - Delegado da Polícia Civil do Pará

Recebido hoje, em meu endereço eletrônico

SOBRE A POSSÍVEL NOMEAÇÃO DE TÓFOLLI PARA O STF EM RESPOSTA A UM COLEGA MAGISTRADO

Aquilo que eu considero virtuoso em termos de valores morais, enquanto Juíza, ou mesmo aquilo que vc também considera, não é senão irrelevância. O que importa mesmo é o que está estabelecido na Constituição e ponto final. Tudo o mais é especulação socialmente cavilosa, porque não é possível que alimentemos a vã pretensão de sermos melhores do que a vontade objetiva da norma jurídica, seja ela boa ou má. É curioso que, a despeito da Constituição Cidadã de 1988, ainda continuemos a vergastar nossos fantasmas que nos fazem espiritualizar a coisa pública, confundindo-a com o espectro de nossas próprias expectativas pessoais ou de grupo. Isso tudo é o tempero de que se constrói toda tirania. É o sentimento de que se caracteriza todo aquele que não respeita limites objetivos na abrangência do tecido social de que supomos ordenado e disciplinado.

Ao fim, favor não colocar palavras à minha boca: não comparei ninguém com quem quer que seja. Apenas provei de modo irrefutável, convenhamos, que o argumento do Reinaldo de Azevedo, bem como o de quem com ele compartilhe, é farisaico, no sentido de falso, temerário, sectário e insubordinado da Ordem Legal estabelecida. Ou não é verdadeiro que nem o Sócrates e tampouco o Cristo Salvador escreveram uma única linha de suas próprias biografias? Isso basta para convencer de que a falta de um bom currículo não é argumento que possa sustentar a imprestabilidade das biografias. Quaisquer que sejam elas.

Entre Juízes é fundamental que não se fale em tom preconcebido. A Ordem Jurídica é a plataforma de referencias normativas que busca evitá-lo. O preconceito é um mal em si mesmo e acaba se voltando contra quem discrimina, desqualificando o discurso de quem defende uma tal atitude deletéria sem estabelecer os cortes metodológicos a fim de que tenha lógica a argumentação. Se é de revisão legal que se ocupa, o intérprete deverá realçar o caráter filosófico de sua articulação de lege ferenda. Jamais desqualificar personagens em caráter individual e mesquinho. Isso não é nobre e não é justo. Aliás, toda ausência é atrevida. Tomemos tento!

Ele (o Reinaldo de Azevedo) e vc podem até ter razão no mérito do argumento, mas ele contravém à Ordem e isso é o que cumpre realçar em um debate próprio a Juízes de formação genuína.

Ou somos aqui também fariseus? Ou "loucos", conforme o querem o TJM-SP e, pelo visto até agora, também o TJ-SP que me negou acesso à Justiça, deixando de aplicar a Lei 21.016/09 (art. 16) ao meu caso pendente, como se se não tratasse de lei processual e como se o MS antes interposto e ainda não concluído consistisse num ato jurídico perfeito, insuscetível de nova regulação (art. 1.211, CPC, c/c art. 6º, LICC).
Aliás, a representação do TJ-SP foi notada e sentida em Brasília em recente evento oficial para o aprimoramento tecnológico da Justiça Nacional. O que fazemos nós debatendo inutilidades e injúrias contra quem sequer conhecemos?
Digo-o porque sei bem o que é ser difamado pelas costas e malbarado em sua dignidade profissional.

Lembro a vc e a todos, ainda, que vamos ter de conviver por muitos anos com o Min Toffoli, membro do STF, se escolhido e nomeado por quem de direito.
Aí eu quero ver se esse tom por ora observado nesta lista vai prosseguir ou sofrer solução imediata de continuidade. Ao enxergar um ou outro quadro, já reunirei condições para avaliar se, além de fariseus, somos também covardes (cessando o discurso) ou corajosos (dando-lhe seguimento).

Fraternal abraço,

Zane (Roseane)

----- Original Message -----

From:

Farisaico mesmo, Zane, é alguém ser indicado ao Supremo por ter sido advogado do Presidente da República e do Partido dos Trabalhadores, sendo guindado à AGU apenas por essas razões.
Vc entende que isso é correto?
Será que S. Exa., se indicado e nomeado, zelará de tal forma pela sua imagem que, nos casos de interesse direto do Sr. Presidente e do Partido, se dará por impedido?
Ou isso não é coisa que um Ministro do STF tenha que fazer?
Além disso, como vc pode avaliar o notório conhecimento jurídico de alguém sem que essa pessoa tenha currículo?
Além disso, me desculpe, mas comparar o Tóffoli com Sócrates já é de um nonsense absurdo, com Jesus Cristo então não tem paradigma.
Me perdoe, mas não consigo engolir esse tipo de situação. Ainda mais sabendo que se a indicação for feita, o Senado não terá peito para obstaculizar o preenchimento da vaga.

Saudações fraternais,

não nominarei, por questões éticas


Em 14/09/2009 14:29, Zane escreveu:


Sócrates e Jesus Cristo não escreveram uma linha sequer para preencher seus currículos. No entanto, o primeiro foi e é o maior filósofo da humanidade de todos os tempos. O Outro, Ele é o próprio Deus Conosco!
Então, farisaico é o discurso do articulista Reinaldo de Azevedo.

Zane (Roseane)

Lei do Mandado de Segurança só vale para caso novo

Por Fernando Porfírio

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou nesta quarta-feira (2/9) que não se aplica lei nova a litígio já iniciado. A decisão foi provocada por recurso que buscava socorro na nova lei do Mandado de Segurança (Lei Federal 12.016/09), que entrou em vigor no dia 7 de agosto. O caso envolve uma juíza que reclama do Órgão Especial do TJ paulista a apreciação de sua aposentadoria por invalidez permanente para o exercício da Magistratura.

A matéria julgada girava em torno de dois questionamentos: cabe ou não agravo regimental contra decisão do relator que concede ou nega liminar em Mandado de Segurança? É possível permitir à defesa o direito de sustentação oral no julgamento do recurso contrário à decisão cautelar? Os dois direitos reclamados pela defesa estão previstos no artigo 16 da Lei Federal 12.016/09.

A nova lei do Mandado de Segurança disciplina que, nos casos de competência originária dos tribunais, caberá ao relator a instrução do processo, sendo assegurada a defesa oral na sessão do julgamento. No parágrafo único do mesmo artigo, a lei diz que da decisão do relator que conceder ou negar a liminar caberá agravo ao órgão competente do tribunal que integre.

O Órgão Especial do TJ paulista, por maioria de votos, entendeu que esse não era o caso da matéria relatada no processo e disse não aos pedidos. No entendimento da maioria dos desembargadores, para o caso apreciado, se aplica a determinação do Supremo Tribunal Federal, na Súmula 622, que diz: “Não cabe agravo regimental contra decisão do relator que concede ou ao indefere liminar em Mandado de Segurança”. Como consequência dessa formulação, o colegiado negou a sustentação oral pretendida pela defesa.

Três manifestações foram fundamentais para selar o entendimento da corte paulista sobre o assunto: as dos desembargadores Palma Bisson, Penteado Navarro e Walter Guilherme. Para eles, o espírito da nova lei busca adequar normas processuais em vigor com as exigências da sociedade de celeridade, economia e segurança jurídica.

Segundo os desembargadores, a nova lei do Mandado de Segurança, apesar de suas imperfeições, não se descuidou da garantia do devido processo legal e do direito à tutela jurisdicional. Mas, para eles, a norma não pode ser aplicada ao recurso apresentado pela defesa da magistrada. O pedido de Mandado de Segurança e o agravo regimental foram anteriores a entrada em vigor da nova lei, explicaram.

Nova regra
A Lei Federal 12.016/09 regulamenta o procedimento do Mandado de Segurança individual e coletivo que, até então, era regido por lei anterior à Constituição de 1988. O Mandado de Segurança coletivo foi criado em 1988 pela Constituição Federal, mas ainda não tinha sido disciplinado pela legislação ordinária.

O projeto que deu origem a Lei 12.016/09 foi apresentado pela Presidência da República. Nasceu com uma portaria da Advocacia-Geral da União, à época comandada pelo atual presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes. A proposta foi feita por Comissão de Juristas presidida pelo professor Caio Tácito e teve como relator o professor e advogado Arnold Wald e como revisor o ministro Menezes Direito. Também integraram a comissão os advogados Ada Grinover Pellegrini, Luís Roberto Barroso, Odete Medauar e o ministro do STJ Herman Benjamin.

O Mandado de Segurança é remédio jurídico usado contra ato de autoridade considerado ilegal ou abusivo. A lei equipara à autoridade órgãos de partidos políticos e administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas e as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público.

Aposentadoria forçada

A juíza aposentada Roseane Pinheiro de Castro pretende a revisão de sua aposentadoria do cargo por invalidez. A decisão que aposentou a magistrada foi tomada pelo Tribunal de Justiça Militar. Juíza de Direito de carreira, Roseane passou a integrar o TJM por designação do Tribunal de Justiça, mas foi aposentada em 2005. O ato do tribunal militar foi encampado, em setembro daquele ano, pelo então presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Luiz Tâmbara.

A juíza entrou com vários recursos contra a decisão. O último deles, um pedido de Mandado de Segurança. A cautelar foi negada por decisão monocrática do desembargador Penteado Navarro, que entendeu não estarem presentes os requisitos da fumaça do bom direito e do perigo na demora. O mérito ainda não foi apreciado pelo Órgão Especial. Antes disso, a defesa ingressou com agravo regimental contra a decisão que negou a liminar.

Em janeiro deste ano, a juíza requereu a avocação do expediente para que seja revisto o ato de aposentadoria e ouvidos médicos e peritos que se manifestaram pela sua invalidez para o serviço público. O pedido foi indeferido pelo atual presidente, Vallim Bellocchi. Insatisfeita, a juíza pediu Mandado de Segurança.

A defesa alega que o fato de sua cliente ser juíza concursada e vitaliciada pelo Tribunal de Justiça impede que outro tribunal a aposente, ainda que por invalidez. De acordo com a defesa, a atribuição é exclusiva do Tribunal de Justiça paulista. Na opinião da defesa, um tribunal de base constitucional inferior a outro não pode suplantar a sua origem, suprimir a instância, cassar a competência.

“O TJM, portanto, não tem autonomia constitucional específica para determinar, em definitivo, o ato de aposentadoria de juiz de direito que passou a compor seus quadros judiciários, por especial destaque da atuação do Tribunal de Justiça de São Paulo, a cuja hierarquia se acha submetido”, afirma a juíza em sua defesa.

De acordo com a magistrada, a presidência do Tribunal de Justiça também errou ao chancelar o malfeito jurídico vindo do TJM, sem antes de tomar qualquer decisão que processasse o expediente perante a autoridade competente para o caso, que seria o Órgão Especial do Tribunal de Justiça.

Segundo a juíza, ao chamar para si uma atribuição que competia exclusivamente ao órgão colegiado, o então presidente do TJ-SP chancelou uma ilegalidade.

Agravo Regimental 179.014.0/8-01

Postado no Conjur em 3-9-09

Agradecimento a Eugenio J C Rosa

Obrigada, meu querido amigo Eugênio por me entender e saber, exatamente o que gostaria, um julgamento justo, com direito aos mais comezinhos princípios constitucionais de ampla defesa e contraditório, somente isso. Depois, aceito o que decidirem, mas, enquanto não tiver a oportunidade de, ao menos ser periciada por um ou 100 psiquiatras, desde que idôneos, na presença de um um advogado ou perito como até hoje nunca aconteceu, continuarei a lutar porque sei que DEUS ESTÁ COMIGO SEMPRE e é ELE QUEM ME DÁ O ALENTO E SUPORTE NECESSÁRIOS para que eu suporte tudo que estou sofrendo nesses 4 anos com essa mácula de insana que, digo e repetirei, zilhões de vezes, quero minha honra e dignidades de volta porque ninguém me comprará com vecimentos integrais e outros benefícios..Não tenho preço.

Vá viajar, descanse e que Deus o proteja e ampare assim como a seus familiares.

Obrigada por suas palavras que calaram fundo dentro de mim, tenha certeza disso.

Um beijo afetuoso da

Zane


Indeferimento de perícia para esclarecer fatos fere o direito de ampla defesa do trabalhador

http://www.editoramagister.com/noticia_ler.php?id=38942

Se somente a prova técnica é capaz de demonstrar a existência ou não de nexo de causalidade entre a doença do reclamante e as funções desempenhadas na reclamada, o indeferimento da produção de prova pericial que poderia esclarecer a situação fere o direito constitucional de ampla defesa do trabalhador e acarreta a nulidade do julgado. A 5ª Turma do TRT-MG manifestou entendimento neste sentido ao acompanhar o voto da desembargadora Lucilde D'Ajuda Lyra de Almeida.

O reclamante relatou que exerceu a função de vigilante, tendo que ficar de pé por longo período. Em razão disso, adquiriu doença que o incapacitou para o trabalho em virtude de dores na coluna e nos tendões. O autor requereu na petição inicial a produção de prova pericial para demonstrar a existência de doença ocupacional. Porém, o juiz sentenciante determinou o encerramento prematuro da fase de produção de provas, indeferindo o pedido do trabalhador.

Discordando do posicionamento do julgador, a relatora do recurso salientou que, diante das particularidades das demandas que envolvem doença ocupacional e acidente de trabalho, o Poder Judiciário deve privilegiar, ao máximo, o direito de as partes oferecerem todas as provas necessárias ao esclarecimento dos fatos.

Acentuou ainda a magistrada que o fato de o INSS ter concedido apenas auxílio-doença ao trabalhador não é fundamento suficiente para que os pedidos sejam liminarmente rejeitados. Isto porque a decisão do INSS não vincula a Justiça do Trabalho, sendo que, independente do tipo de benefício concedido, poderá ficar demonstrado, pela prova pericial, que a doença do autor tem origem nas tarefas desenvolvidas para a empresa.

Por esses fundamentos, a Turma acolheu a preliminar de cerceamento de defesa suscitada pelo reclamante e determinou o retorno do processo à Vara de origem para reabertura da fase de produção de provas, com a realização da perícia que embasará o julgamento dos pedidos trazidos na ação.

RO nº 00103-2009-083-03-00-7

Fonte: TRT 3

Eugenio J C Rosa, Juiz em Goiânia para Zane

Zane,

Não como o colega que vai para Gravatá, mas amanhã cedo viajo também. Porém para o mato onde tenho uma Princesa, para exercitar meu outro lado, o de matuto. Não sem antes registrar minha solidariedade a você. Não me importa o que digam em seu julgamento, ou seus erros, acertos, que você não tem sanidade mental necessária à função, etc. Na verdade, o que me incomoda muito no seu caso é seu reclamo, sua denúncia constante, de não ter direito a um julgamento justo, a um devido processo legal, à ampla defesa, perante uma corte imparcial, sem juízo preconcebido ou preconceituoso. Enquanto isso, independentemente de vc ser simpática ou não, mulher ou não, agradável ou não, comigo ou com quem mais, ..., terá sempre a minha solidariedade. Julgar é intrometimento humano em função divina. Isto posto, que tenham respeito pela usurpação da função dEele ... E que, ao final, dEle venha refrigério para sua alma. Como seu semelhante, estar ao seu lado, como Jesus ensinou estando ao lado de tanta gente em situação bem mais difícil, é o mínimo que posso fazer. Receba meu fraternal abraço, meu ósculo santo e a Deus peço publicamente, em nome de Jesus, que te dê livramento.

Eugênio - Goiânia

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sobre divulgação do meu caso à mídia-discussão

Meu querido Magid, colegas e amigos!

Mais do que de entusiasmo na lista ou fora dela, preciso mesmo é de atitude de justiça. Minha luta é a materialização hodierna da peleja entre David e Golias. Ando à busca de uma funda que sirva para ferir o gigante de uma ação prepotente que ainda não cessou. Todos os procedimentos estão sendo materializados, mas as barreiras atitudinais de índole perversa os bloqueiam desde o nascedouro. Tem sido assim desde há mais de quatro anos.

Quero saber quem enfrentaria isso tudo de modo estritamente convencional? Convencionalizar essa guerra é dar às costas ao inimigo para que ele nos apunhale facilmente.

Não tem essa de segredo ou reserva corporativa de um caso que já deixou de ser um problema pessoal e assumiu um caráter de Estado. Além do mais, sou parte e como tal não posso ser impedida de questionar a legitimidade da situação que estou padecendo, injustamente.

A Constituição, outrossim, não permite a censura ou a restrição à liberdade de expressão seja lá de quem tiver interesse de se expressar. Quem achar ruim que se determine a demandar contra quem for. No entanto, se o exercício da expressão é a verdade, ninguém vai se insurgir contra ela, porque a torpeza nunca é de regra ostentada, senão quando se reconheça que a vítima é inteiramente idiota a ponto de não saber articular a própria defesa. Seguramente, não é o caso. O problema que se coloca na hipótese é que há personagens que ainda vergastam ao serviço público e suas práticas do passado terão de ser revisadas a todo custo, porque implicam em supressão de instância e abuso de autoridade. Isso vai resultar em prejuízo. Por isso eu fui rifada até agora. Solução para o meu caso, certamente, não passa exclusivamente pelas articulações de ordem técnica, mas depende, fundamentalmente, de uma vontade política suficiente para que o quadro se reverta.

Ninguém vai dizer por muito tempo que uma pessoa é louca pelo fato de estar defendendo direitos fundamentais que lhe foram maltratados sem o menor escrúpulo e até com requintes de grande crueldade e de corporativismo malsão.

É isso, meu querido amigo Magid!

Um abraço afetuoso da

Zane (Roseane)

----- Original Message -----

From: Magid Nauef Lauar

CARÍSSIMA ZANE, CARÍSSIMOS COLEGAS,

Vou dar pitaco...

No meu modestíssimo entendimento, a ZANE está coberta de razão ! Tenha ou não procurado a imprensa. Se não se o fez: PARABÉNS ! Se não o fez: DEVERIA FAZÊ-LO ! O Poder Judiciário é – na maioria das vezes – refém da imprensa, infelizmente !

O POVO BRASILEIRO, através da imprensa, tem o direito em saber como somos tratados. Como a chamada JUSTIÇA é aplicada sobre nós. É imprescindível que todos tenhamos o conhecimento como são feitas as promoções na nossa carreira. Como são beneficiados os filhos e os apadrinhados. E como são defenestrados os “sem-padrinhos” os do “baixo clero”. Como a JUSTIÇA no nosso meio está intimamente ligada ao sobrenome.

Quando um Colega, em algum momento de desequilíbrio, comete qualquer deslize, a imprensa se serve com prato cheio. Daí que quando somos ultrajados na nossa própria instituição, a imprensa deve divulgar também, deve expor as entranhas sujas e indignas da nossa Instituição

Enfim, NADA TEMOS A ESCONDER !

Fraternos abraços,

Magid

nome de José Geraldo P. da Silva

QUERIDA ZANE.

VIU OS COMENTÁRIOS EXISTENTES NO BLOG SOBRE O SEU ARTIGO?

TODAS AS OPINIÕES ELOGIAM A SUA ATITUDE. NÃO DÊ OUVIDOS PARA AQUELES QUE NÃO TEM CORAGEM DE EXPRESSAR SEU POSICIONAMENTO.

MANTENHA-SE FIRME NA SUA LUTA.

UM FORTE ABRAÇO.

JOSÉ GERALDO P. SILVA (SANTA CATARINA)

Anthero!

Gostaria de esclarecer, tornar muito clara a questão de que eu, em momento algum fui ou procurei a Imprensa e não se trata de questão disciplinar e sim, um processo judicial de que nunca tive a oportunidade de ver um. Se alguém postou na mídia não fui eu, repito, NUNCA procurei nada ou ninguém, apenas e tão somente meus direitos, perante a Justiça que não me foram concedidos. Se mandei algo para as listas de Magistrados e alguém encaminhou a outros lugares, pessoas, você brigue com eles e não comigo ou com a Suely que só está se mostrando solidária e amiga como VOCÊ, também, tem feito isso por mim.....

E, uma pergunta que não quer calar: o que mais eu tenho a perder se me tiraram tudo, inclusive a alegria de viver??????

Será que ser taxada de insana já não basta para uma mulher aos 45 anos à época, execrada por seus próprios pares que lhe viraram as costas quando mais precisou, ter seus vencimentos bloqueados, estar lutando contra um câncer, não ter pais vivos, perder uma filha aos 4 anos de idade, onde até nora e meu filho mais velho tentaram usar desse expediente para tentar tirar o pouco que me sobrou e páro por aqui porque quem me acompanha sabe muito bem o que passei e, ainda passo, calada, porém, lutando até morrer para reaver meu nome limpo, sem máculas, essa mancha de louca, a minha honra e dignidade de volta. Quer mais?????? Converse um pouco com o Roberto Wanderley, Valéria, Sbano, Elpídio, Carlos Hamilton e outros que prefiro não nominar e terá uma dimensão do que já passei. Posso falar de duas tentativas de homicídio, devidamente, registradas na 1 Delegacia da Mulher? Posso falar que invadiram a clínica onde estava meu filho de 17 anos à época fazendo tratamento para dependência química, surgindo mais de 20 viaturas policiais e o quanto ele e todossssssssssssssssss alí recaíram? Posso falar da minha avó materna, com 87 anos, na UTI onde acabara de sofrer uma intervenção cirúrgica no cérebro se ver "tomada" por mais de 15 policiais fardados e armados??????????

Meu querido Anthero, nada mais tenho a perder , mas há DEUS e ELE, ninguém vai me tirar e que está sempre a meu lado, não me deixando sucumbir.....


Zane (Roseane) 13-9-09

Comentários postados no Alerta Total

"Para quê um julgamento?"

7 Comentários -

JOSÉ GERALDO P. DA SILVA - JUIZ APOSENTADO DE SANTA CATARINA disse...

TENHO ACOMPANHADO O CASO DA COLEGA ROSEANE E ACHO "UMA VERGONHA", COMO DIRIA O BORIS CASOY, A ATITUDE COVARDE DE ALGUNS MEMBROS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. O PROCESSO DELA ANDA A PASSOS DE TARTARUGA. ACHO QUE NÃO QUEREM ENFRENTAR UMA VERDADE E TEREM REVELADAS AS FALCATRUAS QUE DERAM ORIGEM A APOSENTADORIA COMPULSÓRIA DE UMA MULHER COMBATENTE E CORAJOSA. FOI UMA DAS POUCAS, SE NÃO A ÚNICA, JUÍZA A SE VOLTAR CONTRA AS ARBITRARIEDADES QUE ERAM COMETIDAS. ESTA MULHER MERECE MUITO RESPEITO.11:23 AM

Anônimo disse...

Excelente, Zane querida!
Alguém tem que ter coragem prá denunciar essa sujeira toda!
Parabéns!
Meu apoio total a você.
Sou tua fã!
Perla (Crystal)
12:55 PM

Maria de Fátima disse...

Zane, tenho acompanhado toda a trajetória. Nosso país tem se revelado injusto, com certeza. Sob muitos ângulos. Vc não pode denunciar a verdade, se ela doer aos que MANDAM. Se ficasse quieta, não estaria aposentada, com certeza.
Você é uma heroína !!!
O Brasil precisa de muitas Zanes!!
Parabéns e sempre torcendo por você!
Fátima
2:57 PM

Anônimo disse...

"A Justiça é o interesse dos privilegiados". Os que hoje estão no poder corromperam a alma desta nação. Poucos, como esta Juiza, são suficiente fortes para manter a lucidez e a razão.
Prossiga Juiza, sua luta é a mesma luta dos nacionais que preservam valores éticos e dignidade.
4:20 PM

Nadir Cabral disse...

Prezada Dra.
Me solidarizo com tua angústia.
Estão querendo se apoderar de algo sagrado, que é a Justiça! A justiça não é humana, provém de Deus, todavia, os semi-deuses que ora ocupam altos cargos no Judiciário, para acobertarem infâmias, a estigmatizam de INSANA.
Lamento que pessoas como a senhora, que luta para que a verdade apareça, sofra tanto por algo que é um direito. Meu respeito e gratidão por enfrentá-los de cabeça erguida.
5:24 PM

Gesni disse...

Parabéns Drª.

Onde prosperam os enganadores e a enganação, é muito difícil ter vez e voz sem pertencer ao time principal.
Luz e sorte.
Caxias do Sul
10:38 PM

Anônimo disse...

GIGANTE ROSEANE!!!
Continue, Roseane, a dar publicidade a tudo, não esmoreça mesmo, você , grande mulher, siga que fará seguidores, tua luta é justa, e isso agrada aos SEUS olhos. Temos DEUS,e sabemos disso, nós que sempre estamos na contra-mão da não rua, mas servidão dos poderosos desse poder irresistível aos acenos indecorosos de qualquer tipo de vantagem que lhes alimente a vaidade, no mínimo...
leitoracativa conhecedora de outras, porém sempre injustiças, cumprimentando e desejando-lhe sempre coragem, muita coragem.
12:40 AM

Comentários postados no www.alertatotal.net, em 13-9-09

domingo, 13 de setembro de 2009

postada às listas para um juiz que prefiro não nominar

Não levei suas palavras pelo lado da ironia, pelo contrário, tenho-as como um gesto de carinho e solidariedade para comigo. Só tenho a agradecer por tê-lo como um verdadeiro amigo.

Entretanto, duas coisas quero deixar claro, ainda há desembargadores no OE maravilhosos, competentes, cultos que me defenderam, inclusive, outros, mesmo votando contra, entendi o oposicionamento deles, exceto quando invocaram a Súmula 622 revogada pel atual Lei do MS e tudo o mais que hoje está no Conjur. E, acredite, depois do meu desabafo, continuo acreditando naquela Justiça Paulista. Todos têm o direito de reflexão, assim como eu que, paulista, paulistana, nascida e criada no Brás, "joguei pra fora" como um desabafo o que estava sentindo naquele dia. Entretanto, hoje volto ao normal e continuo de cabeça-erguida em minha luta.

A segunda que gostaria de esclarecer é que, embora meu falecido pai tenha chegado ao posto de Coronel da PM, a extinta Força Pública, sempre foi do Corpo de Bombeiros, chegando a comandá-lo em todo o Estado de São Paulo. Depois de DEUS é ele a quem devo tudo na minha vida, desde a honestidade, lealdade, o amor pela família e amigos, a solidariedade para com todos, principalmente os mais necessitados, a ponto de hoje ter uma ONG que sustento com meus parcos vencimentos não aceitando dinheiro de Governo algum para levar um pouco do meu conhecimento e ajuda às policiais femininas do Brasil, vítimas de assédios, moral e sexual, hoje, contando com mais de 7.000 pessoas colaborando, também, voluntariamente. Tudo isso, repito, devo a meu pai que me educou para jamais ir contra a minha consciência, me curvar a nada e ninguém, somente à DEUS e que dinheiro algum compra a dignidade e honradez de uma pessoa.

Por tudo isso e pela memória dele, meu pai, Alcione Pinheiro de Castro, continuarei nessa luta para tirar a "mácula" de insana que me rotularam, mesmo, hoje, recebendo, mensalmente, vencimentos integrais.

Mais uma vez, obrigada, meu querido amigo e receba um abraço afetuoso da

Zane (Rosane)

---- Original Message -----

Zane,
sem ironias, adoro as suas longas mensagens. Estou acompanhando, pelos seus relatos, o "processo" a que você enfrenta, com dignidade e apreensão. Não é p'ra menos, principalmente, depois de tanta falta de respeito dos ilustrados desembargadores do famigerado TJSP. Onde falta fundamentação, faltam vergonha e caráter. E, com todo respeito à honra de seu pai, a 'estrutura', 'hierarquia' e 'disciplina' militares causam-me pavor, máxime quando defendida pelo 'silêncio dos inocentes'.
Em relação aos subsídios, você tocou num ponto crucial: nossos gastos pessoais. Quando eles (gastos) se aproximam, não me sinto órgão de poder, excelência, magistrado ou algo que o valha; sinto-me um cidadão incapaz de mobilizar os colegas de profissão a exigir para nós algo que exigimos diariamente de terceiros: o cumprimento irrestrito da Lei (que, hodiernamente, sempre deveria ser grafada em minúscula letra). Oxalá possamos conscientizar cada colega, virtual e real, da necessidade de mudança de postura em relação às prerrogativas de nosso cargo que, a meu ver, é fundamental para o fortalecimento da república (aqui, o uso da minúscula é proposital) combalida e vilipendiada, externa e, principalmente, internamente.
Força em sua luta profissional,
Apesar de eu não confiar em ninguém, pelos seus relatos, nas instâncias superiores sua situação será revertida.
Abraço,

Nota - Alerta Total

Foi publicado no Blog do Serrão, Alerta Total, que é sem dúvida um dos blogs mais lido, o meu artigo sobre Julgamento.

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

www.alertatotal.net

Roseane Pinheiro de Castro ( a Zane)

Brasil Vedade

Foi publicado no Brasil Verdade,
( http://www.brasilverdade.org.br/?conteudo=canal&id=186&canal_id=45 )
A carta que o Desembargador Mozar Costa de Oliveirar, redigiu, contando um pouco a minha trajetória de vida judicante e o que passei e, ainda venho suportando.sei que tenho inúmeros e-mails que, felizmente, tenho recebido me prestando solidariedade de todos os cantos do Brasil de colegas magistrados e, devido à enorme quantidade, graças a Deus, vou respondendo, à medida do possível. Desde já peço desculpas, antecipadamente pela demora, mas, com certeza, responderei.
Abraços a todos!Zane (Roseane)

14/09/2009
Qualquer semelhança com a Polícia Civil do MS é mera coincidência.

Amigas, amigos: Estou escrevendo esta mensagem num esforço de fins jurídicos e morais (cá dentro, também com motivação cristã). Falarei da situação da juíza de direito militar de São Paulo, que conhecemos muito por meio das mensagens trocadas dentro deste forum@apamagis.com.br. Refiro-me à ROSEANE PINHEIRO DE CASTRO (Zane). Eis o que tenho a dizer (ponho em itálico o escrito por ela — diretamente para mim ou inserido em cópia a mim endereçada). 1) Terão notado que faz já algum tempo ela não se manifesta nestas páginas; tem falado comigo em pvt, e eu leio, interpreto e percebo a tristeza do drama que atravessa na vida, já com mais de 50 anos de idade, cerca de 18 de magistratura do Estado e, anteriormente, 15 como servidora do Poder Judiciário. Demonstra ter um nível mental com quociente acima da média. 2) Foi aposentada pelos superiores militares de maneira estranha, a meu ver. Um dos juízes militares que mais a prejudicou, sei eu de outras fontes, é homem de apoucada confiança do ponto de vista moral. 3) Ajuizou ação constitutiva negativa no nosso Tribunal de Justiça com o fim de serem nulificados os atos que culminaram na sua aposentadoria. Tenho no computador a última petição feita por advogado contratado pela ANAMAGES, quando requer sejam requisitados os autos da aposentadoria, que estão em poder da justiça militar. Já haviam requerido a avocação do processo de aposentadoria para ele ser julgado pelo órgão Especial do Tribunal de Justiça, único competente para julgá-la: ela ingressou na magistratura por concurso público autorizado pelo TJ/São Paulo; foi nomeada, empossada e vitaliciada pelo mesmo Tribunal de Justiça (não pelo Tribunal Militar). 4) Escusado dizer isto: o que eu pretendo com esta nota clareadora é o afastamento dos erros, prejudiciais a ela; como reza a dita última petição dos patronos judiciais dela, [...] decidir acerca das ilegalidades apontadas e, agindo estritamente dentro do poder/dever da administração em rever seus próprios atos quanto viciados, para revogar o ato de aposentadoria, com a conseqüente reversão da magistrada requerente ao serviço ativo [...]. 5) Mas, diria alguém, pois se já há ação em curso, que outra coisa há a acrescentar senão que a ação seja julgada na forma da lei? 6) Não, a questão é outra. Sei pelo escrito por ela e também por pessoa de minha confiança (delegado da polícia estadual) o quanto ela já sofreu com os ditos militares. Estes procuraram, por interpostas pessoas, também militares, esparzir no ambiente do nosso Tribunal de Justiça uma imagem muito distorcida dessa moça. Essa imagem precisa ser refeita por isso que dessa distorção a conseqüência ruim de injustiça pode novamente abater-se sobre a ZANE. Os julgadores poderão ser vítimas do inconsciente e entregar a provisão jurisdicional com o eivo do apriorismo, do preconceito incutido pelos militares. Sem malícia, mas com erro. De modo que não se trata de influir no julgamento do Pleno; antes e muito pelo contrário, cuida-se de prevenir que haja nele, Pleno, a influência do campo minado que inimigos dela, ZANE, lhe prepararam, ou de remediar um influxo possível (possível porque humano) já porventura alojado involuntariamente no cérebro dos dignos desembargadores, membros do colendo Plenário do Tribunal de Justiça. Por outra — não é para influir no julgamento, é para desinfluir nele. 7) Todo aquele denodo dos militares contra ela explica-se. Na magistratura castrense ela combateu muitas vezes a corrupção, o arbítrio, abuso de poder. Quando as polícias, feminina e masculina, se juntaram (antes havia um quartel só feminino), passou essa nossa amiga juíza a denunciar o assédio sexual; procurava fazer cumprir o que todos encobriam, ou seja, colocando no papel, apurando e, se necessário, impondo a devida punição ao assediador (quase sempre um oficial superior). A cúpula da PM não aceitou providências contra esse tipo de crime. Segundo ela esses feitos como que arrebentam a vítima em todos os sentidos — no mundo familiar, funcional, social. Teve a ZANE muitas vezes de acolher, em sua própria casa, as jovens policiais que procuravam no suicídio a forma de acabar com a dor da alma, do descrédito, da impotência, da solidão. Informa ela que apresentou ao CNJ representações contra maus juízes militares. Mais de uma vez a pretensão jurídico-disciplinar dela foi arquivada de plano pelo ministro a que eram distribuídas (é aquele ministro cuja filha, “Glorinha”, faz questão de meses foi beneficiada ilegalmente num concurso público de Brasília sem que o pai impedisse essa sua vantagem). 8) Diz ela: “[...] se, realmente fosse insana, porque nenhum dos meus processos julgados ao longo de 15 anos não foram anulados? Foi o que, certa vez, a imprensa televisiva, do jornal da Band perguntou ao TJM e o Corregedor se calou... [...]” No Congresso de Juízes em Roraima, em final de novembro de 2008, mostrou ela aos colegas algo do seu processo de perda da atividade, com o tal laudo de 6 linhas, sem histórico, ou exames, ou consultas, sem conhecer o médico que assinou o dito laudo, sem advogado, sem assistente de perito, sem o direito à ampla defesa, sem qualquer contraditório. Como era de esperar-se, ficaram horrorizados todos, sem exceção, conta ela. 9) Passou 28 anos da vida no Tribunal Militar. O laudo (expedido pelo Departamento Médico do Estado) em que os militares encontraram como fulcro para aposentá-la, é de apenas seis linhas. Ora, diz ela que esses senhores médicos nunca a viram nem de algum modo a conheceram. Foram os que lhe declaram insanidade, todavia. Por essa insanidade, assim apurada, aposentaram-na os militares, todavia. 10) A nossa amiga ZANE já sofreu outros revezes pesados na vida, como o fato de pai lhe ter morrido de câncer, a mãe de um enfarto fulminante, uma filha por erro médico (aos 4 anos), outro filho mais velho sofreu acidente de moto (ficou na UTI da Santa Casa entre a vida e a morte por vários dias); precisou ele de 4 meses de reabilitação e cuidados especiais da Zane em sua residência, após a saída do mesmo do hospital. Ao filho do meio foi necessária ajuda médica para combater a dependência química. Ficou internado numa Clínica para esse fim. Ora, narra ela ainda que a mando do Coronel PM Corregedor daquele Tribunal Militar, essa clínica foi invadida por policiais militares causando danos não somente a seu filho como aos demais pacientes. Chegou a engordar 22 quilos — diz —, caiu em depressão com síndrome do pânico. Tudo terá sofrido sozinha, divorciada, seus pais falecidos, embora com três filhos a criar e pessoas outras a ajudar (como uma avó de 91 anos). 11) No ato praticado pela cúpula da polícia militar escreveu-se que ela é portadora de “[...] transtorno-afetivo bipolar com sintomas maníacos psicóticos [...], algo semelhante, pois, ao que se passa com estupradores e outros bandidos desse naipe. Antes a submeteram a processos administrativos, dos quais um teria sido apenas por ficar com o filho do meio numa clínica de reabilitação por dois dias (mesmo comunicando o fato ao Coronel Corregedor). Acresce, diz ela, a humilhação de sofrer [...] duas tentativas de invasão à minha residência (BOs registrados na DP da Mulher), meu gabinete foi invadido 6 vezes, a mesa, gavetas e armários arrombados, tudo autorizado pelo coronel-corregedor e com o apoio dos outros 4 [...] seqüela o sumiço de processos, IRs e outras coisas mais. [...] Meu lixo era vasculhado, onde tiravam minhas minutas e mandavam [...] que o escrivão [...] relatasse sobre elas (minutas rasgadas ou amassadas do lixo [...]. (Tem ela tudo isto documentado, em local seguro, com cópias distribuídas entre pessoas da sua confiança). 12) E acrescenta então que isto [...] me machuca por dentro e voltar a exercer a magistratura que tanto amo e jamais recebi, por mais incrível que possa parecer, uma correição parcial, uma representação, um HC, por parte quer de advogados quer do ministério público. 13) E vai adiante: Como não podiam alegar qualquer falta funcional, partiram para a declaração de uma insanidade (que, aliás, é de praxe na PM quando querem se livrar de um policial...). 14) Tem ela procurado, diz, “[...] manter a vontade de viver alegre, perseverante, confiante na Justiça, lutando, recuperando a vontade de viver e muitos colegas, creio que a maioria, [...]. Hoje, à espera de julgamento no Tribunal de Justiça de São Paulo, anda ela a ajudar [...] PMs com problemas processuais ou não, carentes de solidariedade e atenção, com meu próprio dinheiro, através de minha ONG. [...] 15) Por fim: quer me parecer que a ROSEANE (ZANE) está a merecer a ajuda transparente de pessoas de bem para o fim específico de recuperar, no Tribunal de Justiça de São Paulo, a imagem que, por direito e por moral, lhe cabe. Eu digo mais: também pela religião esse apoio é desejável (a caridade, a misericórdia, o “amar ao próximo como a ti mesmo” etc.). Abraço a todas e a todos. Mozar Costa de Oliveira – Mestre e doutor em Direito,pela USP, Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, professor Direito (mais de 30 anos na Universidade Católica de Santos), Bacharel em filosofia pela Universidad Comillas de Madrid.

VALE A PENA VOLTAR?

Passados mais de três anos de minha aposentadoria por invalidez – insanidade e, ainda “manchada” em minha honra, tendo em vista um processo sem defesa, sem contraditório, sem os mais comezinhos princípios legais e constitucionais de um processo justo, pensei que já era hora de pedir a anulação de toda essa inverdade e, assim retornar à ativa como magistrada, exercendo a judicatura em sua plenitude. Assim o fiz. Impetrei pedido de anulação dessa aposentadoria, junto ao Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, afim de que, se necessário, me avaliem, psiquiátrica e mentalmente, pela Junta Médica que os Senhores Juízes de Segunda Instância designarem, onde terei a oportunidade de comprovar que sempre fui mais normal e sã do que qualquer um deles. A única diferença, se isso for uma doença, é que falo o que penso sem medo de agradar e, minhas decisões são proferidas de acordo, única e exclusivamente com minha consciência e a prova dos autos, sem me importar se o réu é rico, pobre, coronel, soldado, branco ou negro... Foi, então, que, convidada para me associar à classe de magistrados estaduais de todos os cantos do Brasil que, em menos de uma semana vi que nada mudou. Percebi que a maioria de meus colegas se considera “acima do bem e do mal”, embora, tentem demonstrar o contrário, que são democráticos, vivem de acordo com a modernidade, diferente da época de outrora. Ledo engano. Na primeira oportunidade, numa lista de discussão virtual somente de Magistrados, relatei algo que estava acontecendo em uma de nossas Associações, corroborada, mediante carta, por mim recebida. Eis que surge um Desembargador, cheio de si, defendendo não o simples comentário que fiz, mas, defendendo, árduamente, os seus colegas que pertenciam àquele setor. Tentei argumentar que não se tratava de pessoas e, sim de problemas apontados “interna corporis” (afinal estava numa lista de discussão eletrônica só de colegas de toga). Não adiantou. Aquele senhor continuou a defender a associação como se fosse dele e, pior, como se ele estivesse sendo ofendido, gerando, o óbvio, mal-estar entre todos, tendo em vista que ali era eu uma alienígena. Como me atreveria a tecer comentários acontecidos em uma Instituição que, também pago, mensalmente e que estava gerando problemas entre os sócios? Enfim, sutilmente, fui chamada à atenção. Calei-me e tratei de mudar o rumo da prosa como dizem os caipiras. Como são juízes de diversos Estados da União, até por ser extrovertida, jovem em meus pensamentos relacionados às mudanças que devem ocorrer dentro do Judiciário, tentei interagir com alguns que me recepcionaram muito bem. Porém, mais uma vez, aparece outro Desembargador e, simplesmente, em mensagem pública, afirma que “SRA ROSEANE: BLOQUEEI VOCE, PORQUE NÃO AGUENTO MAIS. SÓ ONTEM E HOJE RECEBI VINTE E DUAS MENSAGENS DA LISTA, ENVIADAS POR VOCE, DE ASSUNTO QUE SÓ INTERESSA AO SEU INTERLOCUTOR. SE ISSO CONTINUAR, TAMBÉM VOU SAIR DA LISTA”. Não direi quem assinou, porque, repito, posso ser insana, mas, não louca. As tais conversas que não interessavam ao Senhor Desembargador eram sobre minha história de injustiças sofridas pela Magistratura Militar e, também como o emocional dos juízes é afetado depois de um dia estafante de trabalho. Isso não interessa a ele... Mais uma vez, calei-me, não sem antes pedir desculpas, humildemente, embora, ninguém, sequer disse algo a meu favor. Foi como se eu não existisse. Entretanto, a partir do momento que as mensagens de e-mails se referem a vencimentos, gratificações, férias e tudo o que possa beneficiar a figura do juiz, com certeza são esses mesmos colegas os mais acalorados manifestantes da lista. Um querendo dar mais sugestões que o outro, desde que lhes seja conveniente para o bolso de cada um. Não que eu seja puritana e não esteja interessada em dinheiro (podem pensar que sou insana, mas louca nunca!). É claro que me diz respeito, mas, na minha modesta opinião, há, também, outros assuntos a serem discutidos, como, por exemplo, o maior entrosamento entre juízes e sociedade. O juiz ser menos burocrático e mais prático. Ir ao local onde está o preso, ao invés do contrário, evitando, assim, despesas desnecessárias ao erário, inclusive, da própria segurança do Estado com esses deslocamentos de preso, necessitando de viaturas, policiais militares, suprimentos alimentares, gasolina e, por aí vai... Já disse em artigo anterior que sou contra a vídeo-conferência, pois no interrogatório, o mais importante é o chamado “olhos nos olhos” entre juiz e interrogando por que nos dá uma visão maior daquilo que está nos autos e demonstra muitas vezes o perfil do réu. Mais um engano. Só se fala em integrações, sociedade, mas, nada muda. Tudo continua como antes. Os juízes em seus gabinetes, incólumes, impassíveis e, até advogados já estão sendo considerados inimigos por alguns que não os querem receber em suas salas de expediente (não falo residência, reporto-me ao ambiente de trabalho). Já temos magistrados se rebelando porque não querem entrevistas com advogados, como se fossem parte menos importante que nós juízes. Esse é o retrato da Justiça Brasileira, ou seja, continua igualzinha de quando a deixei por motivos alheios à minha vontade. Por isso, desde ontem, quando fui, estupidamente ofendida por um colega penso se vale à pena eu retornar a usar a toga, porque sei que jamais serei ou me portarei como eles. Quero namorar (afinal sou divorciada), sair com meus filhos e noras para jantar, dançar, viajar, levar uma vida normal fora do ambiente de trabalho, quando estou de folga. O que, nesse exato momento, creio impossível. Com certeza, serei, mais uma vez banida do meio da Magistratura por não me enquadrar no estilo fechado, sisudo e com “ar de dona do mundo”. Penso, seriamente, em pedir a meu advogado que retire o processo de anulação da aposentadoria. Assim, continuarei insana, como eles me denominaram desde que contrataram uma junta médica que nunca me foi apresentada, não conheci e, eles mesmos, como se eu fosse um brinquedinho, assim me declararam, INVÁLIDA PERMANENTEMENTE para o exercício de qualquer função pública. Querem a tradução? – Transtorno afetivo bipolar com sintomas maníacos psicóticos. É o que sou, uma pessoa incapaz de gerir minha própria vida... E, para a Magistratura Estadual, continuando louca, deixando de ser uma “pedra no sapato” daqueles colegas que querem e desejam que o Judiciário não mude, continuando “capenga”, lento e eles (juízes) continuem a serem vistos pela sociedade como homens inatingíveis acima de qualquer suspeita. Mais um engano. Confesso que desisto de tentar mudar a mentalidade da Magistratura Brasileira. Sou única (ou uma das) no meio de homens que não hesitam em tirar do caminho aqueles que ousam divergir de suas linhas de pensamentos retrógados e dos tempos em que eu, ainda era uma menina de 18 anos, escrituraria com sonhos de alçar a magistratura militar para “fazer a diferença”. A única diferente, vista como um verdadeiro ET fui e, continuo sendo eu!!! Desejo, sinceramente, que novos juízes venham e possam mudar o que tentei, mas, sozinha não consegui, ficando à margem da Magistratura Castrense e denominada A LOUCA, aquela que não se adequou ao sistema porque queria ser igual ou ficar próxima dos seus semelhantes... Que Deus nos proteja do Judiciário e ilumine as cabeças de meus colegas para que comecem a enxergar que estamos no século XXI e não mais na Era da Inquisição, onde as bruxas eram queimadas em praça pública e os loucos, como eu, internados em clínicas onde se aplicavam choques elétricos e lavagem cerebral, e, quando, os pacientes de lá saíam (se é que saíam) sequer sabiam pronunciar seus nomes. Fiz o que pude!
São Paulo, 9 de novembro de 2008 ROSEANE PINHEIRO DE CASTRO
Zane
Publicado no Recanto das Letras em 12/11/2008 Código do texto: T1279158

sábado, 12 de setembro de 2009

Á minha amiga Ângela Lourenço

Graças a Deus, hoje percebi que não é somente a Roseane que está em jogo, mas, como disse um grande amigo-irmão, também da magistratura, é pelo amanhã de nossos futuros colegas que preciso e devo continuar lutando, sem mágoas agora que já desabafei, pois não poderia mais sufocar o que venho suportando há 4 anos sozinha (sou paulista, paulistana, nascida e criada no Brás, por isso meu jeito de falar dando a impressão que estou brigando).
Recebi telefonemas, torpedos, mensagens em PVT e nas outras listas de colegas do Brasil todo, solidarizando-se com a minha dor e isso me deu ânimo, força e a vontade de agradecer, pessoalmente, um a um, o bem que me fizeram, inclusive você, pois há coisas nessa vida que dinheiro nenhum consegue comprar e essa demonstração fraternal é uma delas.
Obrigada por tudo.
um beijo carinhoso da
Zane